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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Contracenar

Já tive sim, vários companheiros de palco, e garanto: contracenar não é nada fácil! Ainda mais se for uma cena romântica!
Há sempre de se levar em consideração o tempo do outro, se ele saberá todas as falas, seguirá o roteiro. Tem de se ter muita paciência.
Eu não dei certo com vários atores. Na maioria das vezes, eles erravam o texto, ou se atrasavam pros ensaios, ou simplesmente não conseguiam fazer o papel ser verdadeiro, entendem? E se não conseguiam convencer nem a mim de que estavam apaixonados, imaginem só ao público.
Claro que também cometi muitos erros... muitas vezes apressava a cena, não seguia o roteiro ( eu gosto de improvisos, acho que deixam a coisa toda mais real)...bom, digamos que houve diversas incompatibilidades durante esses anos, com diversos atores.
Mas de todos meus companheiros de cena, foi um dos atores que menos tempo esteve no palco comigo que mais me ajudou como atriz. Ele fez de mim uma atriz ainda mais viva, ainda mais nítida e clara em meus sentimentos.Ele me deu liberdade em cena, sem deixar de ser livre também.  Nunca tive um entrosamento tão grande com outro ator, em tão pouco tempo. Nós sempre sabíamos exatamente o local de cada um no palco.
É verdade que nossas apresentações foram mais particulares, sem muito público. Nossa temporada foi bem curta e interrompida brutalmente com uma mudança repentina na vida desse ator: ele recebera um convite para interpretar em outro país. Fiquei feliz por ele, mesmo perdendo meu companheiro, afinal,  não há como recusar representar em grandes teatros de toda a Europa.
Hoje recebi a notícia de que poderemos contracenar juntos em breve; mais uma vez, numa curta temporada.
 Me peguei então lembrando de nossos ensaios e cenas... aaah, foram os melhores de toda minha carreira!! Eram cheios de risadas, bom humor, boas conversas!Claro que em cena, éramos amantes vívidos, intensos; e isso obviamente foi influenciado pelo grande entrosamento e amizade estabelecido fora do palco.
Confesso estar ansiosa para revê-lo. Tenho a certeza de que faremos uma linda peça, com cenas de improviso maravilhosas, todas regadas a confiança mútua e liberdade de ser em cima do palco, aquilo que se quiser ser.


Infelizmente, essa peça não será, por hora, de acesso ao público em geral.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Férias

Faz alguns meses que não atuo. 
Assim como todo bom ator precisei de férias, e as tirei.
Assim, sem avisos prévios ou falsos pedidos de desculpas vazias. Simplesmente, deixei de atuar. Rasguei os roteiros, mandei os diretores a merda; quebrei contratos e torrei tudo que tinha em cerveja barata e boa companhia.
Precisava me sentir viva.
E hoje me sinto.
Tive algumas perdas pelo caminho, é verdade. Alguns papéis jamais vou poder atuar novamente.
Em algumas companhias nunca mais serei aceita. 
Mas isso tudo faz parte de quem escolhi ser, como pessoa e como atriz.
Sempre me disseram que há um momento na vida em que temos de decidir, numa encruzilhada, qual caminho seguir. Digamos que eu rasguei os dois caminhos e fui reto, mata a dentro. Uma viagem louca, por um lugar não muito conhecido. Mergulhei profundamente em cachoeiras que jamais vou conseguir ir de novo. Passei por pântanos e praias paradisíacas. Vi o mais belo por do sol, e sofri ao relento da mais forte tempestade.
E agora, que estou de volta, garanto: foi minha melhor escolha, há anos.
Hoje interpretar voltou a ser fácil. Acho que na verdade, porque comecei a colocar em meus personagens coisas de quem realmente sou. 
E isso só foi possível depois dessa longa temporada de férias. 
Dessa viagem sem rumo.
Daqueles mergulhos infindos.
Que venha o próximo espetáculo!
E tenha a certeza de que cada passo que dou em cena, dou por inteiro.

sexta-feira, 27 de março de 2015

intervalo

As vezes as pessoas me questionam por que gosto tanto de doces em geral,
Minha resposta é curta e literal:
De amargo ou salgado, basta a vida.
Se ja possuo em meu dia um noticiário cheio de tragédias; Pessoas que me destroem sem trégua, seja em casa, na entrevista de trabalho ou com o meu tão almejado ser amado, por que não adoçar a vida com o açúcar e tudo aquilo que lhe é usado?
Porque nao deixar que ao menos nossas papilas degustem de algo inesperado? De um sabor ameno e adocicado?
Por que forçar nosso corpo, nossa mente a saborear aquilo que nosso peito ja conhece?

Dou mais um trago em meu cigarro e volto à cena. Ainda há muito a interpretar nesse espetáculo.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Fotografia

          As lembranças na minha mente são como um álbum de fotografias. Algumas ocupam a página inteira, outras só um terço e algumas foram coladas entre os espaços vagos.
          Há dias em que quase não mexo nas folhas antigas...só me preocupo em colar cada vez mais fotografias no álbum. Mas hoje, foi como se uma das fotos tivesse saído de dentro do meu álbum e sido atirada na minha cara, em meio a uma ventania...É, foi essa a sensação quando te vi...e você ainda é tão você !
          Durante todo esse tempo eu achei que eu havia mudado tanto... e ao te ver, ali em pé, com o mesmo olhar, com o mesmo estilo de roupa, com o mesmo ar desleixado, foi como se nada tivesse mudado. Como se eu não tivesse mudado. Pude sentir meu rosto se corar. Eu era de novo uma menina de quinze anos, vendo seu primeiro amor.
         Obvio que no minuto seguinte eu notei todas as diferenças, tanto em você , quanto em mim. Eu já não sou mais a menina puritana, "corretinha", que dava lições de moral. Muito pelo contrário. E você , bom...você  sequer me reconheceu.
         Eu já não sou mais a pessoa pela qual você chora a noite; Pra quem você  escreve versos de amor , ou desenha com traços de anime.
         Minha vontade era correr até você , pular, te dar cascudos e te abraçar até você  ficar vermelho e sufocado. Era fazer um resumo de trinta minutos da minha vida, e te contar tudo sem parar por um minuto. Mas eu não posso fazer mais isso, né?  Afinal já se passaram seis anos.Você  provavelmente iria ficar muito sem graça em ter que me falar que já não somos sequer amigos. Que você  já superou; E que não sente saudade de mim, que não quer compartilhar suas vivencias comigo.
         As vezes eu tenho a certeza de que você  foi a unica pessoa que realmente me amou!Que me amou de verdade sabe? Aqueles amores que arrebentam a gente. Que faz todo o resto parecer inútil sem a pessoa?! Pois é, as vezes isso me dá tanta alegria: saber que alguém me amou de verdade, em algum momento. Mas as vezes eu rezo pra você não ser pra sempre o único na minha vida que ocupe essa lembrança.
        Acho que já é tarde pra te dizer que eu também te amei, não é?! E que por mais que não tenhamos vivido esse amor, que ele foi lindo! Com cada olhar tímido trocado e com cada soco na boca do estomago que eu sentia ao te ver.
      Você  provavelmente nem deve ler o que eu escrevo. ( você  sempre odiou ler meus textos enormes) Bom...nisso eu ainda não mudei. Eu ainda adoro escrever..e muito. Eu ainda gosto de banho de chuva. Eu ainda tenho suas cartas.Eu ainda tenho sua foto de quando era criança. Eu ainda guardo o número da sua casa (que provavelmente já mudou). Eu ainda choro vendo o filme que a gente assistiu no seu aniversário. Eu ainda como brigadeiro de panela com muito granulado. Eu ainda tenho medo de filmes de terror. Eu ainda sinto sua falta.

       No fim das contas eu fiz um resumo da minha vida, eu só não tive coragem pra te contar.
       É! Nisso eu também não mudei. 

Após remexer nas fotos, tirar a poeira. Retorno a página do dia de hoje, colo outra foto: Onde em foco estou eu, e lá no fundo (bem desfocado) está sua foto.
Fecho o álbum, e espero o amanhã.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Pesadelos matinais

E eu volto ao banheiro. Aqui costumava ser meu esconderijo quando mundo parecia malvado. Quando criança, vinha pra me esconder das vozes do mundo todo que rodeavam meus pensamentos, me dizendo coisas terríveis ao meu respeito. As vezes era do porque eu achava que todo mundo estava rindo da minha cara...as vezes era so pra me esconder da minha mãe enquanto chorava. Fazia muito tempo que eu não voltava ao banheiro com esses propósitos..mas hoje me senti vulnerável de novo. Como uma criança que não consegue se proteger..e se esconde de baixo da cama enquanto os pais brigam do lado de fora do quarto..o que a assusta são os sons..a mesma coisa que me assusta hoje. Escrevo meus tormentos..os leio em voz alta..seco as lágrimas. Me olho no espelho; já  não sou mais criança, mas ainda assim...ponho meu pijama, deito e adormeço..agarrada ao meu travesseiro. Rezo.

Dias de insônia

Às vezes, quando estou triste..releio conversas onde pessoas que eu ainda gosto, demonstraram de alguma maneira, carinho ou afeição por mim. Acho que é uma forma de me lembrar que já fui amada, ou melhor..me lembrar que por algum motivo pessoas gostaram de mim..e que se elas encontraram motivos, outras pessoas também irão encontrar..ou eu mesma irei. Eu não posso ter mudado tanto assim com o tempo...tanto ao ponto de perder tudo que me era virtude, afinal..ninguém consegue não é?! Não há ninguém no mundo que seja totalmente desprezível ou amável. É impossível! Tem de ser...
Tende a ser esses, metade dos meus pensamentos quando me deito pra dormir ( e sim, é por isso que evito tanto realizar esse ato) enquanto não durmo, vou entupindo minha mente de séries totalmente fictícias, ou de músicas onde outras pessoas dizem, de maneira bem mais poética, tudo o que eu sempre quis dizer ..sem saber como.
Acho que é por isso também, que não desisto do teatro. Interpretar papéis diversos, deixando em evidência, vezes sua parte boa, vezes sua parte ruim, me faz refletir sobre o que eu mais deixo em evidência em mim para outros. E me faz chegar a conclusão de que todo mundo carrega consigo, não só um pouco de médico, ou de louco, mas também de ator (ou atriz). Onde as vezes intencionalmente, as vezes não, deixamos nos nossos reais personagens virtudes em evidência que nos são totalmente convenientes.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Horas vagas

Às vezes, quando estou triste, releio conversas onde pessoas que eu ainda gosto demonstram carinho, ou afeição por mim. Acho que é uma forma de me lembrar que já fui amada, ou melhor... me lembrar que por algum motivo pessoas legais gostaram de mim, e que se elas encontram motivos, outras pessoas também irão encontrar.. ou eu mesma irei. Eu não posso ter mudado tanto assim com o tempo..tanto ao ponto de perder tudo que me era virtude, afinal...ninguém consegue não é?! Não há ninguém no mundo que seja totalmente desprezível ou amável. É impossível! Tem de ser...
Tende a ser esses, alguns dos pensamentos dos meus personagens.. os que eu mesmo crio quando tento ser escritora. (mentalmente dizendo) rs Tiro esses pensamentos das várias noites de insônia que armazeno; ou de músicas  onde cantores que eu gosto, respondem essas perguntas..ou também as fazem, de maneira bem mais poética.
Acho que é por isso também, que não desisto do teatro: as perguntas! Aquelas ainda não respondidas...Ou os papéis diversos e complexos. Que deixam em evidência, hora sua parte  boa, hora sua parte ruim. Esses me fazem refletir sobre o que mais deixo em evidência em mim, fora do papel. Na vida real sabe?!
"Real"...rs palavra complexa...há alguém que o verdadeiramente seja?! Em todos os momentos?! Digo, acho que todo mundo carrega consigo não só um pouco de médico, ou de louco, mas também de ator ( ou atriz); onde as vezes intencionalmente, as vezes não, deixamos nos nossos 'reais personagens' virtudes em evidência que nos são totalmente convenientes.