Assim como todo bom ator precisei de férias, e as tirei.
Assim, sem avisos prévios ou falsos pedidos de desculpas vazias. Simplesmente, deixei de atuar. Rasguei os roteiros, mandei os diretores a merda; quebrei contratos e torrei tudo que tinha em cerveja barata e boa companhia.
Assim, sem avisos prévios ou falsos pedidos de desculpas vazias. Simplesmente, deixei de atuar. Rasguei os roteiros, mandei os diretores a merda; quebrei contratos e torrei tudo que tinha em cerveja barata e boa companhia.
Precisava me sentir viva.
E hoje me sinto.
Tive algumas perdas pelo caminho, é verdade. Alguns papéis jamais vou poder atuar novamente.
Em algumas companhias nunca mais serei aceita.
Mas isso tudo faz parte de quem escolhi ser, como pessoa e como atriz.
Sempre me disseram que há um momento na vida em que temos de decidir, numa encruzilhada, qual caminho seguir. Digamos que eu rasguei os dois caminhos e fui reto, mata a dentro. Uma viagem louca, por um lugar não muito conhecido. Mergulhei profundamente em cachoeiras que jamais vou conseguir ir de novo. Passei por pântanos e praias paradisíacas. Vi o mais belo por do sol, e sofri ao relento da mais forte tempestade.
E agora, que estou de volta, garanto: foi minha melhor escolha, há anos.
Hoje interpretar voltou a ser fácil. Acho que na verdade, porque comecei a colocar em meus personagens coisas de quem realmente sou.
E isso só foi possível depois dessa longa temporada de férias.
Dessa viagem sem rumo.
Daqueles mergulhos infindos.
Que venha o próximo espetáculo!
E tenha a certeza de que cada passo que dou em cena, dou por inteiro.
E tenha a certeza de que cada passo que dou em cena, dou por inteiro.
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