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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Ensaio

Não tenho mais paciência para escrever em papel...Não que isso seja uma coisa boa...
Minhas peças mudaram muito nos últimos anos. Apesar de ser sempre a protagonista (e sim, esse apesar é com pesar que digo), nem sempre quis interpretar os papéis que a vida me impôs..de roteiros que eu mesma escrevi.
E agora me vejo interpretando um papel que não condiz com aquilo que pensei de mim, como atriz.
Não que eu saiba qual papel condiz comigo, ainda.
Já fui a retraída, que diz pouco e pensa muito. Mas este personagem, perdi em meio à copos de bebida, e rodas de violão (ambientes muito comuns na vida de atores e atrizes).
Já fui a menina ingênua, esperançosa...(aquela que costuma morrer de maneira triste e dramática nos filmes). Confesso, esse papel foi o que mais gostei de interpretar, de viver. Mas esse, não dependia de mim mantê-lo em minha carreira, a vida juntamente com o tempo, impôs que eu não o pudesse mais interpretar.
Já fui amante apaixonada, e não o soube interpretar. Ainda guardava em mim resquícios do papel de menina ingênua, e para interpretá-lo de maneira desenvolta...não se pode manter traços de um personagem tão antônimo como esse.
Já fui a comediante..mas fazer os outros rirem o tempo todo, não é tão bom quanto parece. Afinal, chega uma hora em que você perde o foco, e já não sabe se o engraçado é o que seu personagem diz, ou o próprio personagem. E isso afeta diretamente na sua forma de rir. Com o tempo a naturalidade some, e o seu riso já não convence a ninguém..nem mesmo a você.
Ainda não sei se o roteiro é fraco, ou eu que sou péssima atriz.
Meu papel atual é complexo, envolve todos os outros personagens que interpretei. Mas vem com um "q" de drama... E chorar no palco, na frente de todos..nunca esteve em meus planos. Sei que o espetáculo não pode parar.Mas por enquanto..enquanto não sei a melhor forma de interpretar esse papel, e fazer com que os outros, e eu mesma entenda o porquê das lágrimas, que as cortinas continuem fechadas.



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